Polêmica
Ser, ou não ser...
Igreja, cientistas e sociedade ainda se confrontam diante da homossexualidade
Ailim Braz
Apesar da discussão cada vez mais freqüente nos meios de comunicação e nos ambientes de convívio social, a homossexualidade continua sendo um tema bastante polêmico. Por mais que se estude sobre o assunto, inúmeras hipóteses para as causas se mantêm e nunca se chega a nenhuma conclusão. Nessa perspectiva a igreja, os cientistas e a sociedade se opõem ao analisar a orientação sexual que ora é vista como sendo determinada por fatores sociais, ora biológicos, ora psíquicos.
Em entrevista concedida à edição número 416 da revista Época, em maio desde ano, o sociólogo americano John Gagnon realimenta a teoria da sexualidade como determinação social. Para Gagnon, um dos pioneiros no estudo sobre o assunto, a orientação sexual assim como a atração e a idéia da necessidade por sexo são construídas socialmente. “Tudo depende da cultura, do que a pessoa aprendeu que deve desejar”, embora haja um conflito “entre o que as pessoas gostariam de fazer e o que é considerado apropriado”, afirma o sociólogo.
Em oposição à idéia de influência social, a Igreja Católica sempre manteve um mesmo discurso. Conforme explica Pe. Mauro Duarte Chaves, da Paróquia do Imaculado Coração de Maria (Alexânia – GO), a homossexualidade se caracterizaria por um desequilíbrio mental ou até mesmo por uma “obra demoníaca” na vida da pessoa e seria, portanto, um pecado. O padre afirma receber com freqüência a visita de homossexuais que se dizem insatisfeitos por gostarem de pessoas do mesmo sexo. “Muitos chegam a chorar. Vêm em buscam de apoio espiritual e, após a benção, sentem-se curados e reconfortados”, diz Pe. Mauro. E acrescenta, “mesmo por ser um ato contra a natureza humana nós compreendemos, mas não aceitamos o homossexualismo. A Igreja ama o pecador, mas odeia o pecado!”.
De acordo com a psicóloga Anacélia Martins, todo ser humano nasce com uma porcentagem de homossexualidade. “Se no meio onde eu vivo há uma realidade onde a homossexualidade é aceita ou excessivamente exposta, minha porção homossexual se manifesta”, defende a psicóloga que também é mestranda em Psicopedagogia.
Com a mesma opinião de Martins, o estudante Ricardo Ribeiro, 22, que aos 16 anos percebeu sua preferência sexual por homens, defende fatores psicobiológicos como determinantes da sexualidade. “Há algo instintivo, natural, que sustenta minha orientação embora eu avalie e decida conscientemente o quê, quando e onde quero ‘ficar’ com alguém. A questão social, em minha opinião, só entra em cena para determinar a minha auto-aceitação e facilitar ou dificultar a exposição de algo que sempre fez parte de mim”, justifica-se
Escrito por Ailim Braz às 16h01









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